26 de fev de 2011

METODOLOGIA na Monografia

Será necessário a definição da metodologia para pesquisa. Assim, cabe destacar que a metodologia deve responder as seguintes questões:

Tipo de pesquisa: (detalhar se será uma pesquisa qualitativa ou quantitativa; se estudo de caso; focus group; survey; análise documental; entrevistas ou se apenas pesquisa bibliográfica. Nesse último caso, não precisarão detalhar os outros subitens da Metodologia).

Amostra ou participantes da pesquisa: detalhar o tipo e quantidade de participantes da pesquisa, isto é, quantos sujeitos responderão ao questionário ou serão entrevistados, por exemplo. Informar se são estudantes, gerentes de uma empresa pública ou provada, em qual região do país residem, sem precisar identificar essas pessoas. No caso de pesquisa documental, informar que tipos de documentos, de que época, qual a quantidade.

Instrumento: que tipo de questionário será aplicado, com questões abertas ou fechadas, conteúdo das questões. Como será o roteiro da entrevista: número de questões e conteúdo. Como será o roteiro de tópicos a serem observados nos documentos.

Procedimento: como as informações serão coletadas. No caso do questionário: serão enviados por e-mail? Por malote interno da Empresa? Aplicados pessoalmente pelo pesquisador? A aplicação será individual ou coletiva? Em que local?

No caso das entrevistas: serão individuais ou em grupo? Serão gravadas ou filmadas? Em

que local serão feitas?

No caso dos documentos: como serão obtidos?

Análise dos dados: Serão usadas estatísticas para análise dos dados? Quais estatísticas? Será feita análise de conteúdo das entrevistas, a partir da criação de categorias comuns às respostas dos sujeitos?

O Problema é um problema

Lembrando do sentido etimológico da palavra monografia destacado por Salomon (1999): monós (um só) e graphein (escrever). Trata-se da dissertação a respeito de um único assunto. Daí a necessidade de especificar apenas um problema de pesquisa.

Regras para a formulação do problema

Cabe ressaltar duas regras propostas por Salomon (1999, p. 281) na formulação do problema de pesquisa:
a. fazer a formulação à maneira de pergunta ou proposição interrogativa;
b. fazê-la em função da contraposição ou simplesmente em contradição com o conhecimento anterior (o que temos até o surgimento do problema).
O autor orienta sobre a necessidade de se definir tema e tópico para se chegar ao problema de pesquisa, partindo-se de algo mais geral para mais específico. O tema diz respeito à designação do assunto que se discorre. Tópico, por sua vez, especifica um aspecto ou parte dessa abordagem. O problema, por sua vez, é a descrição mais específica e clara do que se deseja investigar.
Na literatura de metodologia científica é mais comum se encontrar a indicação de tema e problema, sem passar pela etapa de definição de um tópico. Para facilitar a compreensão do assunto, apresentam-se a seguir alguns exemplos de temas e problemas de pesquisa extraídos da literatura sobre metodologia científica.
Percebe-se que a definição do problema é crucial para o êxito da elaboração da monografia. Após definido o problema, há necessidade de concluir o projeto de monografia.

Alguns exemplos de Problemas de pesquisa

Tema: A participação da comunidade na implantação de políticas de mudanças.

Problemas: Na história da comunidade X, quais formas de participação têm sido utilizadas?

É possível detectar formas de participação e relacionar cada uma com objetivos alcançados?

Houve alguma mudança social nesta comunidade sem participação efetiva de seus membros?



Tema: O perfil da mãe que deixa o filho recém-nascido para adoção.

Problema: Quais condições exercem mais influência na decisão das mães em dar o filho recém-nascido para adoção?


Tema: A necessidade da informação ocupacional na escolha da profissão.

Problema: A Orientação Profissional dada, no curso de segundo grau, influi na segurança (certeza) em relação à escolha do curso universitário?

Tema: A família carente e sua influência na origem da marginalização social.

Problema: O grau de organização interna da família carente influi na conduta (marginalização) do menor?

Dicas sobre o projeto de Monografia?

O projeto é o momento de planejar e sistematizar as ações a serem desenvolvidas para a realização da Monografia. Severino (1998, p. 127) aponta algumas funções de um projeto bem elaborado. Dentre essas, ressalta-se a seguinte:

Define e planeja para o próprio orientando o caminho a ser seguido no desenvolvimento do trabalho de pesquisa e reflexão, explicitando as etapas a serem alcançadas, os instrumentos e estratégias a serem usados. Este planejamento possibilitará ao pós-graduando/pesquisador impor-se uma disciplina de trabalho não só na ordem dos procedimentos lógicos, mas também em termos de organização de tempo, de seqüência de roteiros e cumprimento de prazos.

Portanto, algumas questões merecem atenção especial, tais como:

1. O que deseja investigar?

2. Por que investigar esse tema?

3. Qual a importância de investigar esse assunto?

4. Qual(is) o(s) tipo(s) de pesquisa(s) adequados a essa investigação? Bibliográfica, ou além dessa empírica? Se empírica: qualitativa, quantitativa ou ambas?

5. Qual o tempo necessário para realizar a pesquisa?

6. Existe material disponível para realizar a investigação?

7. O tema está relacionado a alguma disciplina do curso?

Pode-se perceber que para começar a desenvolver o projeto necessita-se definir qual o problema de pesquisa. A importância desse momento é salientada por Sousa (1998) ao afirmar que "seja qual for o modelo de ciência que se trabalhe, a escolha do problema de pesquisa é um momento crucial da atividade científica".

Para facilitar o processo de escolha, faz-se necessário a realização de leituras, participação em seminários/congressos, conversas com especialistas da área e, principalmente, muita reflexão, pois essa decisão é muito pessoal. Cada um deve escolher um problema que o impulsione para a busca de respostas, que tenha a ver com as suas curiosidades e necessidades. Além de ser um ato de preferência, Salomon (1999) destaca que é um ato de especificação e especificar é compreendido como "focalizar, abranger num relance determinado objeto ou lugar".

Especificar envolve, ainda, abrir mão de várias opções em prol de uma que mais atenda aos interesses pessoais e que tenha relevância social e científica. Esse é um processo de amadurecimento que pressupõe tranqüilidade e ação. Portanto, comece desde já a refletir sobre os temas que mais lhe interessam, leia livros de metodologia sobre definição de problema de pesquisa, discuta com pessoas que sejam experts no(s) assunto(s) de seu interesse, leia periódicos da área, navegue na internet buscando informações sobre o tema etc. Em suma, busque muitas opções de conhecimento sobre os temas, a fim de que possa realmente realizar uma escolha.

25 de fev de 2011

A HIPOTESE EM MONOGRAFIAS

É normal que, no processo de escrita de monografia, seja anteriormente, quando ainda se está na fase de elaboração de um projeto de pesquisa, ou posteriormente, busca-se a construção de hipóteses.
No entanto, esta não é uma regra, já que a hipótese de uma mnografia fundamentado em uma pesquisa de campo, por exemplo, poderia ser mais propriamente denominada como uma suposição.
Tem-se que a melhor definição para uma hipótese de um trabalho monografico seria o de uma afirmação, que pode mesmo ser negativa, ou seja, negar o tema da monografia, mas que tem o peso de apresentar uma possibilidade, profundamente baseada no problema da pesquisa monografica.
Esta hipótese deve ser passível de confirmação ou de negação, e será a partir dela que se montará a metodologia de pesquisa apresentada no projeto de pesquisa.
Há várias formas de hipóteses, sendo que uma das maiores dúvidas para os alunos, ao escrever suas monografias é não saberem escolher qual o melhor modelo hipotético, assim como definir, após a escolha, qual ou quais as melhores hipóteses caberiam em seu trabalho.
Uma hipótese deve ser verificável, comprovável ou negável, mas ela não pode deixar de apresentar um caminho para a pesquisa monografica.
O que acontece com muitos alunos, ao escolherem sua hipótese e, após montado o projeto de pesquisa e iniciada a escrita da monografia, e ao efetivarem a pesquisa bibliográfica ou de campo, de acordo com o caso mas principalmente neste último, é descobrirem que a hipótese inicialmente apontada foi negada pelo experimento ou pela pesquisa realizada, o que pode ser frustrante para alguns.
Isto é mais frequente em monografias cuja metodologia de pesquisa seja profundamente embasada em experimentos e investigações variadas e mais complexas, de resultados mais imprevisíveis, de forma que um exemplo em que haja negação de hipóteses anteriormente apresentadas ocorre comumente em dissertações de mestrado.
Mas não se preocupe. Uma resposta negativa também é uma resposta, tão válida quanto uma positiva, de forma que sua monografia está coerente. Assim, se isso ocorrer, trate sobre no próprio texto, principalmente na conclusão do trabalho.


Tipos de Hipóteses:

Havendo vários gêneros hipoteticos, torna-se difícil, muitas vezes, definir qual o melhor a ser aplicado. Porém, devido aos elementos próprios a toda hipótese, fica mais fácil acertar na escolha.
Primeiramente, poderíamos tratar das hipóteses da pesquisa. Elas geralmente se fazem presentes em uma monografia em que a metodologia é baseada em estudos práticos ou de campo, ou seja, em que haja necessidade realmente de uma pesquisa bem fundamentada. Nestas situações, sempre se usará da hipótese da pesquisa. Basicamente, sua escolha recairá sobre a justificativa da monografia, já que as razões fundamentadoras são coligadas às variáveis da pesquisa e da metodologia cientifica, que influenciam diretamente a busca das hipóteses
Outro tipo de hipótese é aquela denominada como diretiva. Ela aponta o caminho da pesquisa, já que aponta mais claramente o efeito da causa, ou o problema. Por exemplo:
- Os peixes que se alimentam com ração de origem animal desenvolvem 30% a mais de gordura.
Já uma hipótese para monografia não diretiva não aponta o caminho da pesquisa, apesar de também fazer uma afirmação:
- Os peixes que se alimentam com ração de origem animal possuem mais gordura
Existe também a hipótese vazia. Esta forma de afirmação hipotética, mais usada em monografias ou pesquisas em que haja uma base estatística mais ampla, não apresenta uma suposição.
Esta hipótese, por ser ampla, é mais difícil de ser refutada, mas por vezes pode demonstrar um aluno um pouco preguiçoso e que não quer correr riscos.
Sempre alertamos aos nossos alunos para que evitem, sempre que possível, o uso de uma hipótese vazia.
POSSO FAZER MINHA HIPOTESE QUANDO?
Uma boa hipótese pode ser feita quando o aluno já tem um pouco de domínio sobre o tema de sua pesquisa monografica, de forma que já possa fazer uma predição, mais ou menos elaborada, sobre o que esperar durante a pesquisa para seu trabalho monográfico ou sua dissertacao de mestrado.
Sendo que o papel da hipótese é de orientação, ela deve ser capaz de indicar o resultado esperado se um dos elementos do problema monografico se modifica. Quer dizer, ela deve poder mostrar
HIPOTESE OU SUPOSICAO? QUAL A DIFERENÇA?
Você saberia afirmar a diferença?
Em uma monografia, geralmente o termo mais utilizado seria o de suposição, ao invés de hipótese, já que na quase totalidade dos TCCs ou dos projetos de pesquisa que chegam até nós, o que é denominado como hipótese na verdade se encaixaria mais propriamente no conceito de suposição.
- A suposição nunca apresenta um resultado possível de ser verificado, nunca contam com uma solução para o problema da monografia.
- Nunca contam com uma relação de causa e efeito.
- A suposição seria ainda mais ampla e menos verificável que a hipótese vazia ou estatística apresentada acima.
Assim, as suposições são afirmações mais básicas, ao contrário das hipóteses, que necessariamente precisam estabelecer relações entre os diversos elementos do problema e precisam ser colocadas como relações causais e efeito.
Torna-se ainda óbvio afirmar que o estabelecimento da hipótese, ou das hipóteses em uma monografia deve ser coeso com os demais elementos do trabalho monografico ou do projeto de pesquisa.
COMO ESCREVER UMA BOA HIPOTESE
Aqui, vamos relembrar: a hipótese em uma pesquisa monografica ou mais especificamente em um projeto de pesquisa precisa correlacionar aspectos do problema em uma relação de causa e efeito. Precisa também ser comprovável, ou negável, com a realização de experimentos, pesquisas ou análises.
A resposta a uma boa hipótese deve ser conclusiva, do tipo: a afirmação ou é verdadeira ou não é, não sendo possível considerar válida somente uma parte da hipótese, ou aceitá-la sob ressalva.
Em relação à hipótese, isto é verdadeiro porque cada projeto de investigação ou monografia terá várias hipóteses, geralmente cada uma para cada objetivo.
Assim, a situação hipotética será escrita de modo simples, de escrita bem esclarecedora e deve resumir o mínimo possível de elementos variáveis, de preferência construir uma hipótese para cada variável, assim não há risco de errar.
Desta feita, veja alguns pontos para elaborar uma boa hipótese em uma monografia, um projeto de pesquisa ou um tcc:
- Ela deve ser passível de verificação por experimentos, pesquisas ou análises
- Cada situação hipotética deve ter limites, não podendo albergar todas as variáveis do problema de pesquisa.
- Ela deve determinar a relação entre variáveis da pesquisa.
- Seguindo a regra de escrita de trabalhos monograficos, a redação da hipótese deve ser simples e direta.
Ao escolher a hipótese, o aluno precisa determinar quais as variáveis mais importantes, não valendo a pena “encher linguiça” com variáveis que não são importantes para o TCC ou o projeto de pesquisa.
Esperamos que você tenha um ótimo trabalho com as suas hipóteses.


Ms Idaildo Souza

O RESUMO NUMA MONOGRAFIA

O resumo numa monografia representa uma "condensação" da monografia. Ele funciona justamente como um modelo ultra compacto da pesquisa realizada.
Devem estar presente no resumo as principais informações presentes nas monografias: deve conter algo da introdução, da metodologia, dos resultados e da conclusão do trabalho monográfico.
Assim, ele seria um sumário dos dados constantes na própria monografia.
A qualidade de um bom resumo monografico é avaliada pela capacidade de oferecer ao leitor condições de analisar o conteúdo da monografia sem a necessidade de leitura de todo o texto.
Um erro muito comum praticado por autores de monografias, e até mesmo em trabalho como os artigos científicos, ao redigirem seus resumos é torna-los demasiadamente prolixos. Um bom resumo deve ter no máximo 300 palavras, e não pode fugir, em hipótese alguma, do tema da pesquisa.
Outro ponto comum a todos os resumos é que geralmente ele é preparado em um único parágrafo.
Isto facilita a leitura do mesmo, sem riscos de se desviar do assunto.
Infelizmente, certas publicações científicas estão começando a exigir, na publicação dos resumos de artigo cientifico, que o resumo seja formado por parágrafos curtos.
Mas a regra continua válida na monografia: parágrafo único, seqüencial.
A partir de sua estrutura, o resumo necessitará demonstrar o objetivo geral e o objeto de pesquisa da monografia, assim como descrever brevemente a metodologia utilizada, apontar brevemente os resultados e enunciar a conclusão fundamental.
Tem-se que, os resultados conclusivos, no cômputo geral, estão presentes em três momentos em uma monografia ou um TCC, no resumo, na introdução e na conclusão propriamente dita.
É praxe, também, que o tempo verbal utilizado para a escrita do resumo seja o pretérito perfeito do indicativo, já que a pesquisa monografica já foi realizada e as conclusões já foram isoladas.

Por seu caráter profundamente sintético, o resumo de uma monografia não poderá jamais conter informações novas que não façam parte do corpo do texto. E por sua profunda pessoalidade, coligada ao esforço direto do autor de monografias, o resumo não terá citações bibliográficas, salvo se o trabalho monografico ou o artigo científico for uma revisão bibliografica apoiada fortemente em um autor específico.

MONOGRAFIA x PROJETO DE PESQUISA

Fiquem atentos, pois existe uma diferença fundamental entre a redação de um Projeto de Pesquisa e a redação final da Monografia.

O Projeto é aquilo que você vai apresentar ao seu orientador, para vocês discutirem os rumos do trabalho. A Monografia é o relatório final da sua pesquisa.

Assim, no Projeto você terá um item específico chamado “Problema de Pesquisa” ou “Questão de Pesquisa”, no qual o problema deve estar redigido de forma isolada do resto do texto. Na Monografia, porém, não cabe ter um item específico, com um título próprio, para identificar o seu problema ou questão de pesquisa.

Então, onde ele estará exposto? Necessariamente, você terá que narrá-lo na Introdução do trabalho, deixando claro para quem ler qual é a questão que norteia a investigação. A melhor forma é a mais clara, direta e explícita, como: “Meu problema de pesquisa é: ….” ou “O problema de pesquisa que orienta esta monografia é ….”.

O mesmo vale para os objetivos (geral e os específicos), que devem estar explicitados também na Introdução.

Afinal, se o avaliador tiver clareza sobre o que você pretende, saberá como deve ler o seu trabalho. Seja esperto: é você quem dá o tom do seu texto. Guie a leitura, diga o que está fazendo, exponha suas intenções no trabalho.


Ms Idaildo Souza