26 de jun de 2011

SOBRE A ESCOLA NEOCLÁSSICA EM 10 PARÁGRAFOS

[1] Muito se fala sobre a dita teoria neoclássica. O que ela é efetivamente e o que representa para o mainstream do pensamento econômico? Primeiro é importante lembrar que a teoria neoclássica não é sinônimo do mainstream, ela é a teoria que serve de núcleo analítico para muitos economistas dentro do mainstream, mas não para todos. A grande maioria dos economistas do mainstream não podem ser considerados neoclássicos a rigor, no sentido que aplicam a teoria neoclássica em sua forma pura em todos os casos que analisam (por exemplo, o Krugman não é um neoclássico).
[2] A teoria neoclássica é baseada no individualismo metodológico e no subjetivismo (estático). Ou seja, os fenômenos econômicos são consequência (logo, devem ser analisados) das escolhas que os indivíduos fazem. Esses indivíduos fazem escolhas com base numa estrutura de meios e fins, que é dada a priori. Os meios são limitados e os fins são ilimitados, caso contrário não haveria nenhum problema de escolha: O individuo iria satisfazer todos os seus fins dados meios suficientes.
[3] Indivíduos são racionais, logo qualquer meio disponível sempre será alocado para seu fim mais urgente. Podemos chamar os bens de meios e os fins de preferências. Nesse caso se temos um individuo numa certa situação onde que ele tem três bens a sua disposição A, B e C. Se nessa situação o bem A satisfaz uma preferência mais importante do que o bem B (A é preferido a B) e se o bem B satisfaz uma preferência mais importante do que o bem C (B é preferido a C). Nessa situação o indivíduo racional vai preferir A em relação a C (o axioma da transitividade). Nota-se também que cada unidade adicional de certo tipo de bem será alocada para satisfazer o fim insatisfeito mais importante. Logo a “utilidade” de cada unidade adicional do bem se reduz (ou, no limite, pode ficar constante). Em outras palavras, dado um indivíduo que é indiferente entre duas cestas de bens, x e y, onde que x consiste em três unidades do bem A e uma unidade do bem B e y consiste em apenas uma unidade de A e três unidades de B, então a utilidade marginal de A na cesta x será menor do que na cesta y e a utilidade marginal de B na cesta y será menor do que na cesta x. Como o indivíduo é indiferente entre as cestas x e y, então uma cesta z, composta por duas unidades de A e duas unidades de B, será preferida as outras cestas. Logo, um indivíduo racional sempre vai ter preferências convexas.
[4] Na teoria neoclássica a teoria da produção tem como única função explicar a determinação dos preços dos fatores. Logo é possível compreendermos a formação dos preços dos bens de consumo apenas aplicando as propriedades da escolha individual racional frente a dotações iniciais dadas destes, distribuídas por certa população de indivíduos. Cada indivíduo vai realizar trocas com outros indivíduos quando existirem desproporcionalidades das valorações marginais. Nesse caso existe a possibilidade de ambos ficarem numa posição mais satisfatória apenas trocando bens de suas dotações. Por exemplo, usando as cestas x e y do parágrafo anterior, temos dois indivíduos com as mesmas preferências, mas um deles é dotado com a cesta x e o outro possuiu inicialmente a cesta y. O primeiro indivíduo prefere uma cesta com uma unidade a menos de A e uma unidade a mais de B e o outro indivíduo prefere uma cesta de consumo com uma unidade a mais de A e uma unidade menos de B. Logo ambos podem trocar uma unidade de A por uma unidade de B e cada um ficará com uma cesta z, que é preferida por ambos em relação às cestas x e y.
[5] Os preços então são determinados da seguinte forma: Dado um conjunto de preços no mercado, cada indivíduo vai ofertar bens cuja sua valoração marginal é menor do que a valoração marginal dos bens que ele pode adquirir por esse preço (ou seja, ele vai trocar bens que ele não valora muito por bens que são mais úteis). O processo continua até que as valorações marginais sejam proporcionais aos preços. Nesse caso temos o chamado equilíbrio do consumidor porque nenhum outro plano de ação com relação ao sistema de preços consegue obter um nível de maior satisfação. Na ausência de produção, o comportamento dos consumidores com relação aos preços e as suas dotações determinam o sistema de preços, que iguala as quantidades ofertadas com as quantidades demandadas. No caso, como cada consumidor iguala as proporções dos preços com as utilidades marginais dos bens, os preços de equilíbrio refletem as razões das utilidades marginais de todos os consumidores. Ou seja, se um bem custa mais caro do que outro é porque a unidade marginal desse bem é capaz de satisfazer necessidades mais urgentes dos consumidores.
[6] A estabilidade do equilíbrio é justificada pelo fato de que qualquer discrepância entre as quantidades demandadas e ofertadas no sistema econômico vai gerar um processo de ajustamento em direção ao equilíbrio. Se a quantidade ofertada é maior do que a quantidade demanda, isso ocorre porque o preço do bem é muito alto, a redução no preço vai reduzir a utilidade marginal relativa que o consumo de uma unidade adicional do bem terá que auferir para que ele faça parte de um plano de consumo de equilíbrio. Logo a quantidade demanda pelos consumidores se elevará, equilibrando o mercado. O inverso ocorre quando temos excesso de demanda. Na economia matemática se usam equações diferenciais para modelar esses processos. Noto que essa explicação para a estabilidade do equilíbrio não é muito boa, na verdade ela apenas assume o que deve explicar. Em outras palavras, se prova que o equilíbrio é estável demonstrando que ele é um equilíbrio. É nesse aspecto que Mises e Hayek se diferenciam do resto dos economistas, ao explicarem como o mercado gera um processo equilibrativo.
[7] Aplicando a teoria podemos deduzir que se a quantidade de certo bem no mercado se elevar então a utilidade marginal do bem em relação aos outros bens cairá. E como os preços são proporcionais as utilidades marginais, podemos deduzir que o seu preço de equilíbrio com relação aos preços dos outros bens será menor. Noto que isso ocorre assumindo que a elevação da quantidade existente do bem não afete as utilidades marginais dos outros bens (o que ocorreria se o bem em questão é complementar de outros bens), logo a queda de sua utilidade marginal absoluta vai provocar a queda no seu preço relativo (caso contrário seria possível que sua utilidade marginal relativa pudesse se elevar com o aumento na quantidade ofertada, mesmo que a utilidade marginal absoluta caísse. Nesse caso o bem pode até se valorizar com relação aos outros bens, mas essa é uma situação limite).
[8] Outra consequência interessante da teoria neoclássica é que no equilíbrio as possibilidades de ganho mútuo através da realocação dos bens existentes são esgotadas pelas trocas já executadas. Isso ocorre porque se existe a possibilidade de uma troca mutuamente benéfica ainda não executada, então temos uma discrepância nas razões das utilidades marginais de pelo menos dois consumidores. Mas isso entra em contradição com o equilíbrio do consumidor, já que ao maximizar seu estado de satisfação temos uma situação onde as razões das utilidades marginais de cada consumidor são equivalentes aos preços (que são iguais para todos os consumidores). Em outras palavras, indivíduos racionais jamais vão deixar de realizar uma oportunidade de troca mutuamente benéfica no equilíbrio, já que isso viola uma das definições de equilíbrio de mercado: Que cada plano de ação de qualquer tomador de decisão não deixa de aproveitar qualquer oportunidade de ganho existente. Uma oportunidade de ganho mútuo consiste num estado onde ambos os tomadores de decisão afetados pela existência da oportunidade podem atingir um estado de maior satisfação, logo um plano de ação que deixa de aproveitar essa oportunidade não é um plano de equilíbrio para ambos os indivíduos.
[9] Introduzindo a produção nesse parágrafo explicaremos como ocorre a determinação dos preços dos fatores. Vamos assumir que os indivíduos não são dotados de uma cesta inicial de bens de consumo, mas apenas de fatores de produção, que se combinados podem ser convertidos em bens de consumo. Nesse caso os consumidores demandam fatores de produção que não tem em troca dos fatores que são dotados e com os fatores que acabam adquirindo no mercado produzem os bens de consumo de que necessitam. Nesse caso os indivíduos vão atribuir aos fatores o valor que atribuem aos bens de consumo que correspondem ao produto marginal de seu emprego. Logo, estendendo a teoria do tomador de decisão racional para esse caso um pouco mais complexo, deduzimos que os preços de equilíbrio dos fatores de produção serão proporcionais as suas produtividades marginais, em relação aos outros fatores de produção, e serão iguais aos preços de seu produto marginal (caso contrário os consumidores iriam comprar o produto marginal ao invés do fator se ele fosse mais barato, ou o contrário, caso o produto marginal fosse mais caro do que o fator, logo no equilíbrio eles se equalizam). Por exemplo, essa teoria explica porque que os trabalhadores ganham segundo sua produtividade (o que explica porque a imposição de um salário mínimo gera desemprego involuntário). Demonstro que apenas retornos constantes em escala, no sentido econômico do termo, são admitidos pela teoria, já que se tivermos retornos decrescentes em escala um tomador de decisão racional não vai produzir nessa escala, mas vai distribuir os fatores em múltiplas unidades físicas. Retornos crescentes em escala no sentido que um aumento nas quantidades físicas dos fatores implica no aumento mais do que proporcional do produto, consistem no caso da existência de fatores diferentes de produção. Por exemplo, uma planta grande eficiente e uma planta pequena ineficiente não são formadas por uma mesma cesta de fatores em escala diferente, mas na verdade consistem em fatores de produção diferentes, no caso a planta grande terá seu preço de equilíbrio com relação a planta pequena mais do que proporcional as quantidades físicas dos fatores, sendo proporcional a sua produtividade. Isso ocorre porque como o valor é subjetivo os indivíduos diferenciam os fatores de produção não pela sua produtividade física, mas pela sua capacidade em ser transformado num bem de consumo.
[10] A existência do fenômeno dos juros também é explicada de forma satisfatória pela teoria neoclássica, nesse caso apenas estendemos a análise para a escolha intertemporal. Quando o indivíduo escolhe no tempo suas preferências consistem na taxa de desconto que ele atribui com relação ao consumo futuro e em comparação com o consumo presente (ou seja, a taxa de desvalorização do futuro em relação ao presente). Nesse caso a taxa de juros para empréstimos representa o preço do tempo, o indivíduo vai tomar recursos emprestados quando a utilidade marginal do consumo presente é maior do que a utilidade marginal do consumo futuro mais os ganhos com os juros. No equilíbrio desse indivíduo a taxa de substituição intertemporal no consumo se iguala a taxa de juros. No caso da produção temos que a acumulação de capital de equilíbrio satisfaz a condição de que a taxa marginal de ganho em produtividade intertemporal se iguala a taxa de juros. Logo os juros são determinados pelas preferências temporais dos consumidores e pelas possibilidades intertemporais de produção. E concluindo: A teoria neoclássica não é incompatível com a austríaca, a verdade é que os resultados da teoria neoclássica consistem em um caso especial da teoria austríaca. Esses resultados se aplicam para os austríacos quando temos um estado onde que os indivíduos possuem conhecimento perfeito com relação ao framework de meios e fins com que se defrontam.


Adaptação do texto de RAFAEL GUTHMANN

IDAILDO SOUZA DA SILVA
ECONOMISTA

A programação da Disciplina de Economia Neoclássica

Universidade Federal do Acre
Pró-Reitoria de Graduação
Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas – CCJSA
Coordenação de Economia
Disciplina: ECONOMIA NEOCLÁSSICA I
Professor: MSc. Idaildo Souza da Silva

Objetivo: Apresentar os principais conceitos e princípios da Teoria Econômica Neoclássica, enfatizando os aspectos que caracterizam essa linha de pensamento.
Ementa: Princípios básicos e precursores; a utilidade marginal e a demanda do consumidor; a produtividade marginal e a oferta do produtor; o equilíbrio estático dos mercados em concorrência.
Programa
1- Princípios básicos da Economia Neoclássica
      - Individualismo
      - Teoria do Valor Utilidade
            - Utilidade Total, utilidade marginal decrescente
      - Economia de livre mercado
            - Tendência para o equilíbrio
2- A Revolução Marginalista
      - Precursores: Jevons , Menger, Walras
3- A Teoria do Consumidor
      - A conduta racional e maximizante
      - princípios embasadores
      - Curvas de Indiferença e Reta Orçamentária
      - Equilíbrio do consumidor
            - Mudanças na posição de equilíbrio
4- A Teoria do Produtor
      - Produtividade Marginal dos fatores, Isoquantas
            - Os estágios da produção
      - Lei dos rendimentos decrescentes
      - A Teoria dos Custos
            - Função de Produção, Isocustos
      - Equilíbrio do produtor/firma
            - Equilíbrio curto e longo prazo
            - Mudanças na posição de equilíbrio
5- Equilíbrio dos Mercados
      - Marshall e o Equilíbrio Parcial
      - Walras e o Equilíbrio Geral
Método: As aulas serão ministradas mediante trabalhos de pesquisar a ser realizados pelo aluno, além de aulas expositivas para tirar dúvidas e correspondência eletrônica.
Avaliação: Será feita por meio trabalhos individuais para compor as notas n1 e n2, podendo ocorrer avaliação presencial por meio de prova escrita. Poderá, ainda, ser incluída a entrega de fichamentos/resumos de textos na forma e prazo solicitados.

Bibliografia Básica:
HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico: Uma perspectiva crítica. Rio de  Janeiro, Campus, 1986. (E.K. Hunt – História do pensamento econômico, cap.6 [ itens 1, 2 e 4 (até o 1o par. da p.153)], cap. 11 [ Introdução e item “Teoria da utilidade marginal e da troca, de Jevons”( até o 1o par. da p. 284)]).
BRUE, Stanley L. História do Pensamento Econômico. São Pualo. Thomson Learning, 2006, 6ª Ed. (Capitulo 12, capitulo 13, capitulo 15 e cap. 16 e capitulo 18).
PINHO & VASCONCECELLOS (Org.). Manual de Economia. São Paulo, Saraiva, 1998, 3ª ed.
PAULO Viceconti & SILVERIO Das Neves. Introdução á Economia. 2006, 7ª Edição.
JEVONS, W. S. (1871). A Teoria da Economia Política. Trad. Port. São Paulo, Abril Cultural, Col. "Os Economistas", 1983. (W. S. Jevons – A teoria da economia política, cap. 1 (itens 1 a 4), cap.2, cap.3 (itens 1 a 8), cap.4 (ítens 1 a 6);

MENGER, Carl. Princípios de Economia Política. Trad. Port. São Paulo, Abril Cultural, Col. "Os Economistas", 1983. (Carl Menger – Princípios de Economia Política, cap. 1 (pg. 243 a 252),  cap.3, (pg. 283 a 306).

Bibliografia complementar:
BYRNS & STONE (1996). Microeconomia. Trad. Fernanda Camila R. Carvalheiro, São Paulo: Makron Books, 1996.
FERGUSON, C. E. Microeconomia. Ed. Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1974.
GARÓGALO & CARVALHO. Análise Microeconomica, São Paulo, Atlas, 1981.
GREEM, Francis & NORE, Peter (org.) (1977). A Economia - um Antitexto. Trad. port.  Rio de Janeiro, Zahar, 1979.
HICKS, J. R. (1939). Valor e Capital, trad. port. São Paulo, Abril Cultural, Col. "Os Economistas", 1984.
MARSHALL, Alfred. (1890). Princípios de Economia. Trad. Port. São Paulo, Abril Cultural, Col. "Os Economistas", 2 volumes, 1982.
NAPOLEONI, C. (1967). A Teoria Econômica do Séc. XX. Trad. port. Lisboa, Presença, 1973.
PINDYCK & RUBINFELD. Microeconomia. Trad. Pedro Catunda, São Paulo, McGraw-Hill, 1994.
VARIAN, Hal R. Microeconomia: Princípios Básicos. 2ª ed., Rio de Janeiro: Campus, 1994.
WALRAS, L. (1874). Compêndio dos Elementos de Economia Política Pura. Trad. Port. São Paulo, Abril Cultural, Col. "Os Economistas", 1983.

Revisando o neoclassicismo históricamente

A Economia Neoclássica surgiu em fins do século XIX com o austríaco Carl Menger (1840-1921), o inglês William Stanley Jevons (1835-1882) e o suiço Léon Walras (1834-1910). Posteriormente, se destacaram o inglês Alfred Marshall (1842-1924), o sueco Knut Wicksell (1851-1926), o italiano Vilfredo Pareto (1848-1923) e o estadunidense Irving Fisher (1867-1947).
Pode ser dividida entre diferentes grupos, como a escola Walrasiana, a escola de Chicago, a escola austríaca. O modelo de Macroeconomia proposto pelos clássicos, que acreditavam na “mão invisível” do mercado, consagraram três idéias como fundamentos da macroeconomia:
1).As forças de mercado tendem a equilibrar a economia a pleno emprego, ou seja, quando a procura por emprego se igualar a oferta do mesmo;
2).As variáveis reais da economia e os preços relativos seguem trajetórias diferentes e independentes da política monetária;
3).A quantidade de moeda afeta apenas o nível geral dos preços.

Os neoclássicos aprimoram os fundamentos e justificativas para reafirmar o pensamento clássico sobre o papel do estado. Assim, o Estado não deveria se intrometer nos assuntos de mercado, deixando que ele fluísse livremente. Posteriormente esses fundamentos serão conhecidos como o Liberalismo econômico.

REVOLUÇÃO MARGINALISTA
É o nome que se deu ao surgimento, (quase) simultâneo e independente, no final do século XIX, de uma série de obras que trouxeram os fundamentos para uma nova concepção da Economia, e que contribuíram para transformá-la numa ciência "matemática", contudo, não exata (pois usa a matemática como ferramenta de análise). Essa pretensão programática - a transformação da Economia Política em Economia (Ciências Econômicas) - tem nas obras de Menger (1871), Jevons (1871) e Léon Walras (1874) seus momentos decisivos, e é justamente para designar essa explosão múltipla que se cunhou o nome Revolução Marginalista.

HISTÓRICO
A teoria moderna de valor começou com Adam Smith (1776), David Ricardo (1817) e vários outros autores que compõem o grupo da Escola Clássica de Economia.
Estes autores explicavam a formação dos preços, basicamente, pelos seus custos de produção. Se uma mercadoria "A" custava, para ser produzida, o dobro que a mercadoria "B, o preço de "A" seria duas vezes maior que o preço de "B".
Mas ficava evidente que essa análise era muito imperfeita. Como os custos dependem do volume de produção, e (na maioria dos casos) quando o volume de produção aumenta os custos caem, uma análise da teoria dos preços precisaria levar em consideração a demanda pelas mercadorias.
O estudo da demanda de um produto é relacionado com sua utilidade. Mas os economistas clássicos tinham uma certa dificuldade para lidar com o conceito de utilidade na formação dos preços. Criaram o paradoxo do pão e do brilhante: como o pão, que é tão útil, é tão barato e o brilhante, de utilidade relativa, é tão caro? - perguntavam-se eles, sem obter resposta.

A CRIAÇÃO DA TEORIA DA UTILIDADE MARGINAL
A criação do conceito de utilidade marginal, que floresceu no final do século XIX, veio trazer a resposta ao paradoxo e hoje é a base teórica da análise econômica da demanda.
O valor da utilidade marginal se define como sendo o valor, para o consumidor, representado por uma unidade adicional de alguma mercadoria.
Para exemplificar: para um consumidor que esteja com fome, a primeira fatia de pão tem uma utilidade enorme. Essa utilidade vai decrescendo à medida que se vai adicionando mais unidades. A décima fatia de pão já representará uma utilidade bem menor que a primeira. A trigésima fatia de pão terá uma utilidade quase nula e a centésima poderá até ter uma utilidade marginal negativa se causar, em nosso consumidor, uma indigestão.

OS CRIADORES DO CONCEITO DE UTILIDADE MARGINAL
A análise da demanda se tornou possível pela teoria da utilidade, inventada primeiramente pelo funcionário público Hermann Heinrich Gossen (1810-1858) na Prússia em 1854, que criou, num raro e desconhecido livro em alemão [1], a "Segunda Lei de Gossman" ou a "Lei dos rendimentos Marginais Decrescentes". Seu trabalho, entretanto, foi desprezado por seus contemporâneos e permaneceu totalmente desconhecido até 1878. Na década de 1870 Karl Menger na Áustria (1871), Léon Walras na França (1874-77) e W. S. Jevons na Inglaterra (1871), quase que simultaneamente, recriaram de forma independente o conceito inicialmente descoberto por Gossen, que então foi amplamente divulgado.
Mais tarde Alfred Marshall, na Inglaterra, aprofundou essas análises em seu livro Principles of Economics (Princípios de Economia) - 1890 e passou a considerar que os preços são determinados simultaneamente por fatores de custos e de demanda. A análise de Marshall também reconhece as complexas interdependências que ocorrem num sistema de preços, com a demanda e a oferta de várias mercadorias interagindo e se afetando reciprocamente.

Fonte: texto encontrado na Internet sem indicação de autor




IDAILDO SOUZA
ECONOMISTA

25 de jun de 2011

ALUNOS DO CURSO DE ECONOMIA DE ACRELÂNDIA

Primeiramento foi levando em consideração o empenho e dedicação dos alunos. 

A avaliação na reunião dos professores, não só para Acrelândia, apresentou que a qualidade não está satisfatória.

Eu até concordo, contudo, fazendo algumas ressalvas.

Primeiramente, os alunos que estão se empenhando, estão aprendendo e construindo seus trabalhos.

Em segundo lugar, o aprendizado não se dá do dia para a noite, pois é um processo contínuo.

Assim, a turma de Acrelândia, com certeza, vai melhorar a qualidade com a continuidade. Doutra forma, os aprovados, passarão para a parte 2 e 3. 

Estes, terão minha dedicação exclusiva. 

Um noticia que antecipo neste e-mail é sobre nossa programação.

Em geral, o mês de julho será destinado para elaborarmos a metodologia e análise e conclusão. Em outra palavra, espero que todos se dediquem para concluirmos os trabalho nesse mês e, com a força Divina, defenderem seus trabalhos no mês de agosto.

Não fiquem assustados, pois, a grande maioria tem condições de concluir o trabalho sim.


Segue o resultado e fico a disposição para eventuais comentários, desde que o comentarista faça uma auto analise. 




Espero que os demais reflitam sobre a necessidade de maior empenho. Ficarei a disposição de todos, contudo, mais centrado naqueles que estão produzindo seus trabalhos com maior empenho.


IDAILDO SOUZA DA SILVA
ORIENTADOR

A ROTATIVIDADE NO MERCADO DE TRABALHO BRASILEIRO

Os dados do CAGED - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (2011)[1], mostram que no Brasil, o mercado de trabalho formal vem apresentado uma elevação significativa no que tange à rotatividade da mão-de-obra. Para uma melhor compreensão, no ano de 2002 foi incrementado um total de 40.927.865 postos de trabalhos que ao fim do mesmo ano, ou seja, em 31/12/2002 apenas 28.683.913 mantinham-se em atividade. Em 2009, por sua vez, 61.126.896 foi o total incrementado, que em 31/12 do mesmo ano, mantinham-se apenas 41.207.546.
Observa-se para o período de 2003 a 2009, o total de vínculos no ano (total de vínculos ativos em 31/12 mais total de desligamentos) cresceu 49,35% equivalente ao aumento de 20,2 milhões vínculos ao passar de 40,9 milhões em 2002 para 61,1 milhões em 2009.
O fato a ser destacado é que a flexibilidade do mercado de trabalho analisada, é intensa, quanto ao tempo de emprego, ou seja, cerca de 2/3 dos vínculos desligados  sequer atingiram  um ano de trabalho. Os desligamentos mostram de 76% a 79% das dos empregados, não permanecem ao menos, um período de 2 anos de duração. Verificando esse comportamento para um período acima de 5 anos, a situação é ainda pior, pois, os vínculos ativos até o ultimo dia do ano, analisando o período, reduziu-se  de 34%  para 29%, mostrando uma modesta tendência de declínio no que tange ao fato do trabalhador permanecer mais de 5 anos numa dada atividade.
Entre os principais causa do desligamento, observa-se que mais da metade ocorrem em por iniciativa do empregador e são “sem justa causa”, onde a quinta parte se dá por encerramento do contrato, ou seja, em função dos contratos temporários.
Observando o comportamento dos salários, nota-se que houve um crescimento significativo no período entre 2002 e 2009, freado apenas no período da crise econômica, ou seja, em 2008. Assim, o salario não seria um motivador para esse comportamento do mercado de trabalho. Contudo, um fato que o trabalhador não observa, é que a media salarial, por atividade, daqueles que se mantem no vinculo empregatício é superior a media daqueles que retornam para a atividade.
Considerando as inúmeras atividades, observou-se os setores. Dentre eles, o que mais se destaca é o da construção civil, que no período apresenta uma taxa de rotatividade de 83,4 (2007), 92,2 (2008) e 86,2 (2009), já excluídas as transferências de trabalhador, aposentadorias, falecimento e os desligamentos voluntários.
Taxa de Rotatividade segundo setores de atividade econômica: 2007 - 2009

Fonte: (RAIS, MTE)
Obs.: As taxas foram calculadas entre o mínimo de admitidos ou desligados e dividindo pelo estoque médio (estoque do ano somado com o estoque do ano anterior dividido por dois).


O setor da indústria de transformação apresenta uma taxa crescente para o período, saindo de 34,5 em 2007 para 36,8 em 2009, ou seja, cresceu 6,6%.
Entre os subsetores do setor da indústria de transformação, considerando as maiores taxas de rotatividade, encontram-se os subsetores: Indústria de Calçados, Indústria de Produtos Alimentícios Indústria da Borracha e Fumo e Indústria da Madeira e do Mobiliário.
O subsetor da indústria madeireira e do mobiliário apresentou em 2007 uma taxa de 39,6, crescendo para uma taxa em 2008 de 42,6 e reduzindo tal incremento para 38,9 em 2009. Tais taxas mostram que este subsetor da indústria de transformação teve uma forte influencia na taxa do setor, com uma media da taxa de rotatividade para o período de 33,4.
Considerando que os setores da Construção Civil e da Agricultura apresentam as maiores taxa de rotatividade, apresentam um pequeno peso no total de vínculos trabalhistas.  As elevadas taxas podem ser explicadas pela característica inerente aos trabalhos ofertados por tais setores, ou seja, contratos sazonais. Ao mesmo tempo, as taxas desses setores mostram que a rotatividade não em função dessa sazonalidade.
Os setores de Comércio e Serviços apresentam taxas acima da média nacional e, ao contrario dos demais, apresentam-se como setores importantes na geração de entrepostos de trabalhos, sendo que suas taxas de rotatividade apresentam-se maiores que a média nacional.
Em suma, o mercado de trabalho brasileiro vem apresentando uma forte flexibilidade nos contratos formais. O crescimento no numero de vínculos que são desligados anualmente deve ser tratado com preocupação. O mesmo deve ocorrer ao observar-se que o tempo médio de duração desses empregos formais é de apenas 4 anos. Afinal, não se deve esquecer que o tempo médio de contribuição por tempo de serviço para um trabalhador adquirir direito a uma aposentadoria  é de 35 anos para o trabalhadores do sexo masculino e 30 para os de sexo feminino.
Tudo indica que é necessário repensar na formalidade para tais desvinculações, estabelecendo assim, certo limite à demissão.



IDAILDO SOUZA DA SILVA
Economista

Mestre em Desenvolvimento Regional





[1] Os dados são oriundos do projeto de Desenvolvimento de Metodologia de Análise de Mercado de Trabalho Municipal e Qualificação Social para Apoio à Gestão de Políticas Públicas de Emprego, Trabalho e Renda.

23 de jun de 2011

ESCLARECENDO SOBRE O PLÁGIO

Você sabia que o plágio é caracterizado no ato de copiar, imitar obra alheia, apresentando como seu, um trabalho intelectual advindo, de fato, de outra pessoa?
Evidente que já sabe, contudo, vamos esclarecer alguns detalhes.
Reproduzir, ainda que em pequenas partes, um texto, sem citar sua fonte, é considerado plágio. Então, não deixe de citar o dono da "idéia".
Agora, cuidado, pois havendo citação, porém sendo esta incompleta, há caracterização de irregularidade, de descumprimento das normas pertinentes à citação e às referências bibliográficas.
A Lei de direitos autorais (Lei n. 9.610) estabelece que reproduzir um texto, ainda que indicando sua fonte, mas sem autorização do autor, pode constituir crime de violação de direitos autorais.
Assim, é necessário que o aluno faça um esforço, durante a elaboração do trabalho monográfico, para realizar uma redação própria, autômoma, livre de reprodução indiscriminada do potencial intelectual alheio.
Contudo, o aluno pode buscar inspiração conceitual, doutrinária e ideológica em distintas fontes. Entretanto, na confecção da monografia é necessário um estudo profundo que possa embasar conclusões próprias.
Infelizmente, temos que observar que a caracterização de plágio em trabalhos acadêmicos pode acionar o rigor da Lei n. 9.610, sujeitando o infrator à punição, e no mínimo sua expulsão da Instituição de Ensino Superior à qual encontra-se vinculado.
Em suma, origininalidade é imprescindível em todo e qualquer trabalho acadêmico, mas em caso do aproveitamento de citações alheias, estas devem estar corretamente sinalizadas e identificadas.


IDAILDO SOUZA DA SILVA - MS EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL - ECONOMISTA







ALGUMAS RECOMENDAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DA MONOGRAFIA

Parece repetitivo, mas, não esqueça que ao redigir o texto é recomendado não utilizar a primeira pessoa, a linguagem deve ser clara e expositiva, inclusive no desenvolvimento do texto, onde se apresenta o pensamento do autor sobre o assunto, a opinião emitida deve ter sempre um caráter geral.

Escrever de maneira impessoal, preferindo palavras simples, usando frases curtas, sendo simples e direto é de grande importância numa monografia.

É também importante escrever em português correto. Nas dúvidas consultar o dicionário.
Não esqueça de, quando possível, solicitar a uma outra pessoa para fazer as revisões necessárias e comentar. Ler o que foi escrito e quando necessário, reescrever.

Mesmo na fase de elaboração do trabalho o aluno deve ter alguns cuidados. Dentre ele, destacamos a necessidade de:
Antes de iniciar a digitação da monografia, fazer o seu planejamento no Programa Word, ou similar, estabelecendo os padrões principais, tais como: tipo de fonte, tamanho do corpo da letra, cor da letra, margens, entrada de parágrafos e espaços entre parágrafos, etc.

O modelo de monografia teve esse cuidado, contudo, muitos alunos acabam desformatando. Assim, sempre deve observar a regra da boa apresentação, mesmo na elaboração.


IDAILDO SOUZA DA SILVA - MS EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL E ECONOMISTA




Revisando a introdução da Monografia no curso de Economia

Parece bem dificil a elaboração da monografia. É certo que para isso será necessário dedicação.
Ao elaborar a introdução, por exemplo, na nossa monografia temos que ter em mente que ela é o cartão de visita do trabalho. Por isso dever ser clara, objetiva, limpa, direcionada à temática eleita.
Uma dica importante é observar que a introdução deve estar em consonância com o tamanho do trabalho proposto, ou seja, um trabalho de 40 laudas, não pode ser apresentado por uma introdução de 8 laudas.  
Assim, já combinamos que a introdução terá no máximo, 2 laudas. 
Basta, para isso, observar que na introdução será suficiente expor, de forma sucinta, sobre a natureza da pesquisa elaborada.
Além da natureza do trabalho, não esqueça de descrever aparecerá a intencionalidade do trabalho. Também, é necessário que descreva rapidamento e de forma sutil as informações que estão ou estarão contidas ao longo da pesquisa, sem aprofundamento demasiado.
Ao concluir a monografia, volte e revise sua introdução, para ver se não tem demasias ou se não deixou de destacar algo importante.
Não esqueça, a introdução do trabalho acadêmico deve funcionar como um cardápio, que incentiva e motiva a leitura do trabalho acadêmico, de forma a torná-lo interessante e eficiente aos olhos do leitor/professor/orientador que fará sua avaliação.



IDAILDO SOUZA - MS EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL/ECONOMISTA

13 de jun de 2011

Fazenda muda conceito de agricultura familiar

Mauro Zanatta

O governo decidiu alterar o conceito de agricultura familiar para ampliar os benefícios oficiais ao segmento. O Ministério da Fazenda permitirá o enquadramento de famílias "com um ou dois membros" cujas atividades "não-agrícolas" sejam exercidas fora do estabelecimento rural. Hoje, a lei prevê que a mão de obra empregada na propriedade seja "predominantemente" da própria família.A medida para permitir a chamada "pluriatividade" foi anunciada ontem, em audiência no Senado, pelo secretário-adjunto de Política Econômica da Fazenda, Gilson Bittencourt. A alteração fará parte da reforma do Manual de Crédito Rural (MCR), antecipada pelo Valor em meados de maio. O MCR está em vigor há quase meio século. A última revisão das normas ocorreu em 1980.
O conceito de agricultura familiar inclui atualmente o limite de quatro módulos fiscais (20 a 400 hectares, segundo o município), maior parte da renda originada da propriedade, além de condução pessoal do negócio. "A simplificação das normas vai ajudar muito o pequeno produtor", disse Bittencourt aos senadores da Comissão de Agricultura.
O governo também resolveu alterar as regras do MCR para eliminar as "diversas limitações" que impedem hoje um agricultor familiar enquadrado em determinado grupo de acessar recursos destinados a outro conjunto de produtores. "O manual será uma única resolução e a partir daí será a principal, mas não a única, legislação para o crédito rural", afirmou o secretário-adjunto. "Hoje, é um depósito de todas normas, com resoluções, leis, circulares, um apanhado de 85% normas do crédito rural que são alteradas pelo CMN".
As alterações no MCR também limitarão o endividamento de produtores familiares em operações de custeio e investimento. Haverá limites específicos para risco assumido pelas instituições financeiras e o chamado "risco da União".
Hoje, a União tem operado mais com subsídios aos juros das operações e deixado de assumir riscos financeiros. Os bancos têm emprestados R$ 44 bilhões das chamadas exigibilidades, percentual dos depósitos à vista que são obrigados a emprestar ao setor rural. Hoje, as exigibilidades estão em 29%. Até o ano-safra 2014/15, voltará a 25%. "As operações hoje são a maioria de risco bancário, o que torna mais difícil novas renegociações de dívidas", disse Gilson Bittencourt. "Em qualquer intervenção do governo nesse processo, há necessidade de pagamento adicional".
O novo Plano de Safra 2011/12 prevê R$ 107 bilhões para a agricultura empresarial e outros R$ 16 bilhões aos produtores familiares. Nas novas regras, o governo incluirá tratamento especial a dois grupos de agricultores familiares: os assentados da reforma agrária e os agricultores de baixa renda. Haverá a unificação das linhas e dos prazos máximos de reembolso das diversas linhas de investimento.

O Pronaf Investimento será somado ao programa Mais Alimentos. O governo também estenderá aos familiares a renovação anual simplificada das operações de crédito para "agilizar e reduzir" os custos. "Na medida em que, a cada ano, o produtor vá pagando, o limite vá se abrindo e ele não precise trazer toda a documentação ao banco", afirmou Bittencourt.

 
Local: São Paulo - SP

Fonte: Valor Econômico